segunda-feira, 12 de março de 2012

O enigma da imagem da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos

As imagens que vemos nas procissões da Semana Santa em Baependi nos deixam impressionados não só pela beleza de suas expressões, mas por serem também muito antigas.
Mas um detalhe impressionante me chamou a atenção ultimamente...
Nas fotos a seguir, veremos como a imagem de Nossa Senhora das Dores, e a de Nosso Senhor dos Passos, sofrem notáveis mudanças, ao serem expostas a determinados ambientes, com muita ou pouca luz.

Vamos ver primeiro a de Nossa Senhora:
*Foto 1

Repare que os olhos de Maria estão voltados para o alto, quem sabe observando Seu Filho agonizar na cruz. Seu sofrimento parece incomprienssivel, como se não existisse mais nada além de Seu Filho muito amado no alto do calvário.

*Foto 2

Quando mudamos o ângulo, a iluminação também muda juntamente com a expressão do rosto de Maria. Repare que agora temos a impressão de que Nossa Senhora tem um leve sorriso nos lábios, seus olhos não parecem mais voltados para o céu, mas somente para o lado.

*Foto 3

 Ja esta foi tirada mais de longe, quase não dá pra ver Seu rosto, mas quem vai à Matriz, percebe que não importa pra onde vá, ela sempre o acompanha com os olhos. Temos a impressão agora que Ela olha para a câmera,impressionante!!!
Na foto abaixo, vemos a imagem depois de ter seu vestido alterado, suas mãos subiram um pouco, e sua capa foi um pouco fechada, sua expressão também mudou.
Um fato interessante:

Em 1998, durante a reforma da Matriz, correu um boato de que os trabalhadores ouviam uma mulher chorar, mas não viam ninguém... alguns disseram que era a Virgem das Dores. Coincidentemente no mesmo ano, os vidros onde se localiza a imagem, começaram a embaçar. Logo se descobriu que o embaçamento dos vidros era causado por um buraco embaixo do altar, pois entrava ar frio de fora que se misturava ao ar quente de dentro da igreja, o buraco foi tampado parando assim de embaçar. Quanto ao chôro não ouve explicação.

Imagem do Senhor dos Passos:

Vamos ver primeiro o que acontece quando por exemplo, tiramos uma foto desta imagem usando somente a luz ambiente, ou seja sem o flash da câmera:
Foto 1
Vejam que o Senhor dos Passos parece calmo e tranquilo, parece estar conformado e não estar sofrendo tanto.

Foto 2
Já com o flash ativado, suas expressões são trazidas à tona, a então imagem calma e tranquila, ganha um sofrimento inexplicável. Seus olhos parecem abrir ainda mais.

Sem flash                                       Com flash


Na imagem sem flash, os olhos parecem estar caidos, um Cristo desolado muito cansado.

Na imagem com flash, os olhos estão mais abertos, parece dar até pra sentir sua respiração ofegante.



Veja mais de perto:


                                   

Nas procissões, essas duas belissímas imagens, deixam os fiéis impressionados com sua beleza. Com toda certeza, os artesãos que fizeram, tanto o Cristo, como a Virgem; conseguiram exprimir todo o sentimento de que se passa na cena do Encontro. Na penumbra das ruas elas ganham um ar de mistério e muito respeito...


Baependi se orgulha de possuir imagens tão belas e antigas como estas!!!

sábado, 10 de março de 2012

Baependi se prepara para a Semana Santa

No tempo quaresmal em Baependi, se realiza todas as sextas feiras a Procissão da Penitência. Esta procissão é feita as 05:00 hrs da manhã seguida de missa.






Embora de madrugada, muitas pessoas participam desta bela procissão, preparando seu espirito e já entrando em clima de Semana Santa.




Nos dias atuais, implantado pelo nosso pároco Pe. Douglas, a procissão é feita em filas. Pe. Douglas, juntamente com o vigário Pe. Elberson "Taquinho", conduzem o povo de Deus com cantos e a oração do Terço.






No decorrer da caminhada o dia vai amanhecendo. Mostrando seus primeiros raios, o sol aparece entre as montanhas, iluminando mais um belo dia.



Na esperança de que Deus nos ouça e atenda nossos pedidos, percorremos as ruas e vielas de nossa velha cidade com cantos e orações, louvando e aclamando a presença de Deus no nosso meio. E com o coração preparado para a semana mais Santa de todas.






Após a procissão a assembléia se reúne para celebrar a Santa Missa.






Força na fé, nós temos...
Não existe hora nem lugar para louvar e agradecer a Deus, basta ter o coração aberto e agradecido, apenas por ter mais um dia de vida, mais um dia pra lutar e poder fazer não só a nossa vida, como a de outras pessoas feliz.

Semana Santa vem aí!!!!!!!!

sábado, 3 de março de 2012

Procissão de Quarta feira Santa

Como já falamos da procissão do Encontro na Terça feira Santa, agora vamos falar também da belíssima procissão que acontece no dia seguinte, Quarta feira Santa.
Esta procissão relembra as dores de Maria Santíssima, que depois de encontrar seu Filho carregando a cruz, agora chora sozinha. Esta procissão sai do santuario de Nhá Chica e faz o caminho contrário da realizada no dia anterior.

Nossa Senhora das Dores visita todos os passos, que seu filho visitou um dia antes na Terça feira Santa.

Vamos ver agora como se realiza essa procissão:
*Trecho do livro TEMPLOS E CRENTES.
" Quarta feira, realiza - se a também notável procissão de Dores, pelas ruas da velha cidade.
Já os passos são nossos conhecidos; a Virgem sai, para os percorrer. Via dolorosa!
Seu andor, com guarnições de seda roxa, agaloaduras e bordados de aureos fios, ornado de palmas, tem inscrições latinas, em cada uma de suas faces.
A imagem de Nossa Senhora das Dores, que aparece nas procissões, é de uma estranha beleza, e a mesma já nos referimos, quando tratamos da Matriz. Veste - se de rico hábito de seda branca esmaecida, bordado a ouro. Sob o resplendor, onde se engastam pedras roxas, cai - lhe, da cabeça, sem ocultar as negras e lindas madeixas que mais lhe aformoseiam o rosto, um longo manto de seda azul, agaloado, as extremidades, e coberto de recamos de ouro.
Os motetes que se ouvem neste dia não são mais os de Jerônimo, porém os de Moura.
Canta - se, no primeiro passo:

"Cui coparabo te? Vel cui assimilabo te, filia jerusalem?"
( Para quem você se compara? Ou, o que havemos de comparar - te, ó filha de Jerusalem?)
A procissão desce a encosta da igreja da Conceição, onde, na vespera, foi depositada a imagem das Dores. Luzes tremulam. Fere os ares da tarde, que agoniza, um quarteto, entoando "Stabat Mater". Na esplanada, saudosa marcha acompanha o préstito. Detem - se o mesmo, no segundo passo, onde se ouve:

" Facta est quasi vidua domina gentium".

( Ela é como uma viúva!)


A noite chega; suas sombras envolvem o cortejo. Ao longe, acima dos veus brancos das virgens, paira a imagem das Dores, balançando levemente, ao ritmo dos carregadores, a primorosa capa cerúlea, matizado de ouro.
No terceiro passo, que se defronta, soa o canto:


" O vos omnes, qui transitis per viam, attendite, et videte, si est dolor, sicut dolor meus."

( Ó vós todos que passais pelo caminho, participar, e ver se há dor como a minha dor)
Os sinos, durante o trajeto, espalham lamentos pelo espaço.
As marchas são pungentes; aceram, dentro d'alma, acúleos de saudades.
No quarto Passo, local do Encontro no dia antecedente, outra parada. Este motete:

"Plorans ploravit in nocte, et lacrymae ejus in maxillis ejus."

( Chorando, ela tem chorado durante a noite, e as lágrimas estão em suas bochechas)

Mais estações, além, estão; o percurso é longo. O povo, entretanto, se mantém a pé firme.
O coro reveza seus doridos cantos com as marchas lentas, sentimentais.
Chega - se ao quinto Passo. Neste, o motete clama:


"O quam tristis et afflicta, fuit illa benedicta."
( Oh, quão triste e muito angustiado, era que abençoado)
No sexto Passo, canta - se:


"Quis est homo qui non fleret, Christi Mater si videret."
( Quem é o homem que não irá chorar se ele viu a Mãe de Cristo)
Não está longe a Matriz - sétimo Passo. Para lá se dirige a procissão. Os sinos dobram... dobram... No espaço morrem as derradeiras notas de sentida marcha.
Imagem, irmandades, pálio, assistentes, recolhem - se aquele templo, abundante e caprichosamente iluminado. Pelos seus ângulos, pelas suas arcadas e cúpula, de aprimorados entalhes, ressoa, majestoso e dolente, o cântico do ultimo motete:


"Stabat Mater dolorosa, juxta crucem lacrimosa."
( A Mãe ficou de luto, de acordo com o choro cruz)
Seguem - se, ali, outras cerimônias.
Dias memoraveis para a fé, esses, de terça e quarta feira, da Semana Santa!
Diante dos Passos, como dentro de outros templos, desfilam crentes, reunidos pela mesma fé, que dos berços aos túmulos, os conduz e os conforta.
Velhas igrejas, admiráveis santuários! Velha fé, admiráveis crentes!
Templos!... Crentes!..."