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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MILAGRES DE NHÁ CHICA

(Extraído do livro: Templos e Crentes, de José Alberto Pelúcio)
PORTA DO TEMPLO
 
Estavam já bastante adiantadas, ao que parece, as obras da capela da Conceição.
 
Certo dia, o oficial carpinteiro, disse a Nhá Chica que providenciasse, afim de ser obtida, com encomenda antecipada, especiais tábuas de cedro, para a construção da porta principal da capela. Não se descuidasse, pois não seria com facilidade encontrado esse material, se não fosse com antecedência tratado.
 
Aparece, depois disso, em casa de Nhá Chica, um sitiante, muito descontente, por haver perdido um boi que servia em seu carro, parado, a falta do animal, de que não tinha notícias. Vinha recorrer as orações de Nhá Chica.
 
- Vamos ver o que diz Nossa Senhora, falou a devota, e recolheu se a orar.
Voltando, disse ao aflito sitiante:
- Sossegue; seu boi está vivo, o senhor não o perderá. Encontra-lo-a, no curral de sua casa.
Meio incredulo, meio deslumbrado pela notícia, o sitiante, indagou de Nhá Chica:
- Não precisa de alguma coisa para as obras da capela?
- O carpinteiro pediu tábuas especiais, de cedro, para a porta principal; é o de que se precisa.
- Pois, Nhá Chica, replicara o sitiante, se, de fato, eu encontrar o boi, no curral de minha casa, darei as tábuas, como as que são indicadas, a capela. Será esse, o primeiro carreto que farei.
 
Pelas estradas chiara, monótono, um carro de bois; a madeira da porta principal da capela, trazida pelo sitiante, lá ficara, na obra em andamento.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Milagres de Nhá Chica

Faremos uma sequência de alguns dos vários milagres que Nhá Chica em vida pode realizar ao interceder à Nossa Senhora.

As informações foram extraídas do livro Templos e Crentes, autoria de José Alberto Pelúcio.


Órgão

Conta-se que, certa vez, em sonho, Nhá Chica ouvira a voz de Nossa Senhora a dizer-lhe que queria um órgão para seu templo.
Guardou o nome ouvido.
Não tinha ela uma noção bem precisa do que fosse aquilo; a respeito, falou ao vigário, contando-lhe o sonho e indagando o que era órgão.

- Ah! Nhá Chica, ter-lhe-ia dito o pároco, é uma coisa muito bonita, um instrumento que se toca nas igrejas e encanta as almas!
- E custará muito dinheiro? indagaria Nhá Chica.
- Sim, custa bastante, replicara o vigário, que calculou, então, o preço do instrumento.
- Pois é, Nossa Senhora quer.
Algum tempo decorrido, Nhá Chica deu aviso ao pároco de que o dinheiro, para a compra do órgão, estava arranjado; providenciasse ele, para tornar efetiva a aquisição e vinda do mesmo.

Encarregou se da compra um bom músico da cidade, que, para isso, foi ao Rio de Janeiro. Lá, fechou negócio do órgão, depois de o haver experimentado.
Foi feito o embarque do instrumento.
A estrada de ferro vinha só até Barra do Piraí; desta cidade para Baependi, o transporte foi feito em carros de bois. Calculem o tempo e as dificuldades de semelhante transporte!

Enfim, o órgão chegou à Baependi, em uma quinta feira.
Como era natural, a curiosidade pública foi despertada pelo acontecimento; acontecimento, sim, que o era, em verdade, para aqueles tempos, em cidade do interior.
O desejo de se ouvir o instrumento devia ser grande.
Para a capela, afluíram muitos curiosos.

O órgão foi, por fim, colocado em seu lugar.
O artista, encarregado de sua compra, achava-se presente; experimentaria o instrumento. Correu os dedos pelo teclado alvo e... silêncio absoluto! mais uma tentativa... inutil! o instrumento não funcionava. A decepção foi grande! A assistência começou a murmurar.
Nhá Chica estava presente. Alçou, de momento, sua vóz:
- Senhor F...(o organista), o órgão, hoje, não tocará; nada lhe falta, está perfeito. Nossa Senhora não quer que ele toque, hoje; amanhã, as três horas, ele tocará, quando se cantar a Ladaínha à Nossa Senhora. O sino dará o competente aviso.
E as pessoas presentes diziam:
- Quebraram o órgão, certamente, os solavancos do carro de bois!
- Os finórios, do Rio, venderam coisa imprestável!
Foi um desapontamento!
No dia seguinte, sexta feira, dado o sinal, pelo sino da capela, para esta muita gente se dirigiu.
 
O organista achava-se junto do instrumento.
Às três horas, precisamente, rompe-se a ladainha, e o órgão derrama suas ondas sonoras pelo tempo, acompanhando, majestoso, aquele hino de beleza incomum, votado, pela igreja, à Maria Imaculada.
Porque, na véspera, silênciara o instrumento?
Seria porque seu primeiro canto, na cidade, devera ser consagrado, não à curiosidade pública, mas à Virgem da Conceição?

 
Seriam as primícias de seus sons, na cidade, uma homenagem as três horas de Sexta feira, de tanta devoção de Nhá Chica, a obscura serva de Maria?
 
Não sabemos; registramos, apenas, o fato.